quinta-feira, 2 de abril de 2015

O doloroso processo de fim da impunidade

(Nada a ver com a vassoura golpista de Jânio Quadros)


"Rien ne ressemble plus à une ruine qu'une construction inachevée."


"Nada se parece mais com uma ruína que uma construção inacabada."

Fernand Jacquemart - Les Liens de la terre





A mídia brasileira sabe que a Casa Grande não passa de um inferninho, com um vasto laranjal nos fundos. No mínimo, um pardieiro, onde acontece de tudo: barracos escandalosos; sonegações bilionárias; remessas ilegais a paraísos fiscais; propinas; helicocas; aeroportos públicos de uso privado; jatinhos sem dono; subornos; fraudes; conspirações; compra de sentenças, manobras judiciais. É preciso apertar nariz quando se levanta o tapete da sala: há coisas podres, podríssimas, podrérrimas. Melhor seria deixar quieto, mas a situação fugiu ao controle. Os vazamentos seletivos e os ataques pinçados a dedo já não funcionam como antes, só para os desafetos. Por isso é que há tanta fúria, histeria, desassossego.
Alô, Alô, classe média! Caia na real: alguma vez na vida você já assistiu à investigação de empresários, lobistas, banqueiros, políticos, empreiteiros, midiáticos, juízes, servidores públicos bandidos?
Eu também não. 
Sinal que os órgãos e instituições começam a fazer o que deveriam ter feito desde sempre: funcionar de fato, sem favorecimentos. 
Estamos vivendo um duro e doloroso processo de fim da impunidade, e ele está sendo percebido, inicialmente, como aumento da corrupção. Não é. NÃO É MESMO! A corrupção continua igualzinha ao que era antes. A diferença é que agora o cheiro do lixo debaixo do tapete é indisfarçável, irrespirável e chegou às narinas de todos. O chorume está sendo trazido à luz para ser conhecido, desinfetado, descartado. 
Até que enfim! 
VIVA A DEMOCRACIA!



Onde:

https://books.google.com.br/books?id=9fYQm2szhE4C&printsec=frontcover&dq=Les+liens+de+la+terre+books.+google&hl=en&sa=X&ei=e1wdVe2SCY-YyASsqoCwCQ&ved=0CBwQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false

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