quarta-feira, 6 de junho de 2018

Made in USA: O mito da Petrobrás quebrada, política de preços e consequências para o Brasil

Charge de Latuff


Redação da RBA


São Paulo – A construção, pela mídia, do mito da Petrobras financeiramente quebrada, as consequências do alinhamento da estatal aos interesses do mercado e, principalmente, dos Estados Unidos, e a greve dos caminhoneiros foram alguns dos temas debatidos no seminário "O mito da Petrobras quebrada, política de preços e suas consequências para o Brasil" na noite desta terça-feira.
Promovido pela Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) e o Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, o evento teve a participação do economista aposentado da estatal Cláudio Oliveira, do presidente da Aepet, Felipe Coutinho, e do especialista em Minas e Energia e Engenharia do petróleo Paulo César Ribeiro Lima.
"A Petrobras não tem nem nunca teve problema financeiro", enfatizou Oliveira em sua exposição. Enquanto os saldos de caixa das norte-americanas Chevron e Exxon, por exemplo, estão caindo (são de 4,81 e 3,20 bilhões de dólares, respectivamente, em 2017) o da Petrobras, embora também em curva descendente, estava em 22,52 bilhões de dólares no mesmo ano.
"Eles dizem que vendem ativos para saldar dívida. Com 22 bilhões de dólares em caixa, essa é a empresa que eles dizem que está quebrada?", questionou. Para o economista, dizer que a estatal tem uma dívida impagável serve "só para justificar a venda de ativos e desmonte da Petrobras".
O presidente da Aepet, Felipe Coutinho, fez uma exposição dividida entre uma abordagem econômica e política. O mito de Petrobras quebrada graças a subsídios, corrupção e maus investimentos, disse, embasou toda a política desenvolvida a partir da posse de Michel Temer e a politica de preços que desencadeou a greve dos caminhoneiros. "Os números têm que ser discutidos fora da mitologia da mídia. As impressões vão construindo o senso comum com interesses claros contra a Petrobras e antinacionais, coerentes com os meios de comunicação."
A política de alinhamento aos preços do mercado internacional viabilizou a importação por parte de concorrentes, principalmente dos Estados Unidos, segundo ele. "Ganham os produtores norte-americanos, os importadores, e perdem os consumidores, a Petrobras, porque perde mercado, a União e os Estados."
A política implementada pelo ex-presidente da Petrobras Pedro Parente é baseada no princípio "The America first", ironizou Coutinho, em alusão ao bordão utilizado pelo presidente dos EUA Donald Trump, durante sua campanha eleitoral em 2016, quando  prometeu, se eleito, voltar o governo aos interesses de seu país.
"O aumento relativo dos preços da Petrobras viabiliza a importação de derivados por seus concorrentes que ocupam o mercado da estatal, que fica com suas refinarias ociosas."
Segundo Coutinho, em 2015, o Brasil importou 2,5 milhões de toneladas (Mt) de diesel dos EUA, o que representou 41% do total e 1,4 bilhão de dólares. Em 2017, a importação subiu para 8,9 Mt de diesel e US$ 4,5 bilhões. De 2015 a 2017, o diesel americano quase dobrou sua participação, de 41% para 80,4% do total importado pelo Brasil.
Paulo Cesar Ribeiro Lima foi aplaudido ao dizer que "o pré-sal tinha que ser monopólio". Considerando que o Brasil é rico em petróleo, mão de obra e tecnologia, "a crise é fabricação de mentes doentias", afirmou.
Segundo ele, na gestão Parente, o brasileiro pagou 40% mais caro no preço do diesel do que o consumidor americano, sem considerar os impostos. "É realmente inacreditável." "É até possível fazer uma politica de direita bem feita. Mas essa é mal feita", avaliou. De acordo com ele, a sistemática que permitia aumentos até diários dos combustíveis é o emblema da política mal feita.
Para Coutinho, com a solução encontrada pelo governo Temer contra a crise, subsidiando a diminuição do preço do diesel via impostos regressivos, os importadores saem diretamente beneficiados. A Petrobras deveria arbitrar preços justos compatíveis com seus custos, beneficiando o consumidor, defendeu. Com isso, a estatal recuperaria o mercado perdido e os preços mais baixos favoreceriam o consumidor, gerando mais caixa à Petrobras.
Em sua exposição, Felipe Coutinho enumerou uma série de "fatos relevantes" que, cronologicamente, mostrariam a relação entre o golpe que derrubou Dilma Rousseff e a política da gestão Parente na Petrobras em benefício dos Estados Unidos.  
Entre eles, o treinamento de agentes judiciais brasileiros nos EUA, revelado por documento interno do governo norte-americano e vazado pelo WikiLeaks. Teriam participado promotores e juízes federais dos 26 estados brasileiros e 50 policiais federais de todo o país.
Esses fatos se sucederam, segundo ele, da seguinte maneira:
1 – Anúncio da descoberta do pré-sal, em 2006 (ainda no governo Lula)
2 – Primeira extração do pré-sal, no campo de Tupi, atual Lula (novembro de 2017)
3 – Roubo de notebooks e HDs da Petrobras (janeiro de 2008)
4 – Reativação da Quarta Frota dos EUA (abril de 2008)
5 – Governo anuncia projeto de regime de partilha do pré-sal (agosto de 2009)
6 – EUA treinam agentes judiciais brasileiros (outubro de 2009)
7 – Reunião de executiva da Chevron (Patricia Pradal) no consulado dos EUA sobre a reversão da Lei da Partilha (dezembro de 2009)
8 – Protestos de junho de 2013
9 – Brasil e Petrobras são alvos de espionagem dos EUA (2013)
10 – Operação Lava Jato e "cooperação internacional" (março de 2014)
11 – Golpe do impeachment de Dilma Rousseff (maio de 2016)
12 – Temer assume agenda das multinacionais do petróleo (a partir da maio de 2016)
13 – Nova política de preços da Petrobras, exportação de petróleo cru, importação de derivados e ociosidade do refino no Brasil (desde outubro de 2016)
14 – "Parcerias estratégicas", o novo codinome da privatização dos ativos da Petrobras (desde 2016)
15 – Pagamento de US$ 2,95 bilhões aos acionistas da Petrobras nos EUA (janeiro de 2018)
16 – Pré-sal representa mais de 50% da produção brasileira de petróleo (2018)
Onde:
http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2018/06/mito-da-petrobras-quebrada-alimentou-golpe-e-favoreceu-estados-unidos

sábado, 2 de junho de 2018

Pedro Parente: a gestão ruinosa de um vendilhão da pátria

Charge : Latuff

A Associação dos Engenheiros da Petrobras divulgou nota em que cobra explicações de Pedro Parente sobre sua gestão, na visão da entidade lesiva aos interessa da Petrobras e à sociedade brasileira. Segue a íntegra da nota:
PEDRO PARENTE saiu sem explicar porque a PETROBRÁS, sob seu comando, vinha praticando preços internacionais para os combustíveis, não obstante produzir e refinar petróleo no Brasil.
PEDRO PARENTE não explica porque tentou privatizar a PETROBRÁS DISTRIBUIDORA segunda maior empresa do BRASIL. Também não esclareceu a operação de venda da LIQUIGÁS, do setor GLP, vetada pelo CADE e a venda de mais de 2.000 km de gasodutos, com comprovados prejuízos para a companhia.
Construiu a ignorância sobre a PETROBRÁS e a deixa sem responder:
Por que manter preços no mercado interno acima dos internacionais, viabilizando a importação por concorrentes, enquanto a estatal perde participação no mercado e suas refinarias ficam ociosas?
Por que vender ativos valiosos, sem concorrência, em negociatas diretas, ao arrepio da lei, ao mesmo tempo em que a empresa mantém em caixa somas astronômicas, sempre superiores a US$ 20 bilhões?
Por que atender pleitos de fundos abutres americanos adiantando R$ 10 bilhões antes da conclusão do processo, ao mesmo tempo em que nega responsabilidade no déficit da Petros?
Por que atuou sempre no sentido de dar apoio aos que denegriam o nome da companhia divulgando falácias de que ela teria passado por problemas financeiros e nunca realçando a importância do pré-sal para a PETROBRÁS e o Brasil?
O demissionário mostra desprezo pela verdade ao afirmar na carta ao PRESIDENTE TEMER que “A empresa passava por graves dificuldades sem aporte de capital do tesouro, que na ocasião se mencionava ser indispensável e da ordem de dezenas de bilhões de reais”. Ao receber o comando como presidente encontrou caixa de R$ 100 bilhões, cerca de US$ 28 bilhões na época. O índice de liquidez corrente – acima de 1,50 – e a geração operacional de caixa superior aos US$ 25 bilhões por ano demonstram que a companhia tinha plenas condições de cumprir com seus compromissos.
O Sr. PARENTE derrete-se em elogios ao Conselho de Administração esquecendo-se que a contribuição mais expressiva e definitiva é a dos milhares de empregados.
“A PETROBRÁS é hoje uma empresa com reputação recuperada”, afirmação carregada de vaidade, jactância. A reputação da PETROBRÁS jamais foi abalada por práticas. CONDENAVEIS, REPULSIVAS DE POLÍTICOS CORRUPTOS, EMPRESÁRIOS DESONESTOS E BANDIDOS QUE NÃO SOUBERAM HONRAR A CAMISA DA PETROBRÁS.
PEDRO PARENTE finge desconhecer os graves equívocos no plano de negócios e gestão/planejamento estratégico, elaborado por sua orientação, vendendo gasodutos e termelétricas, ativos que monetizam e agregam valor ao gás natural, sabidamente combustível de transição para uma economia mais limpa. Retirando a companhia da Petroquímica, renunciando à produção de Biocombustíveis, etanol e biodiesel, abandonando empreendimentos do Refino e da produção de Fertilizantes. Decisões que já resultam em prejuízo na geração operacional de caixa e comprometem a segurança energética e alimentar do País.
Quanto à afirmação de que “me parece assim, que as bases de uma trajetória virtuosa para a PETROBRÁS estão lançadas”, nada mais falso. Em apenas dois anos PEDRO PARENTE vendeu, em processo tortuoso, marcado por muitos questionamentos na justiça, dezenas de bilhões, em ativos rentáveis, estratégicos, desintegrando a companhia.
Ao afirmar que “a política de preços da PETROBRÁS, sob intenso questionamento”, mais uma vez sofisma, tergiversa. A PETROBRÁS jamais praticou esta política. PARENTE deveria classificá-la como política da gestão PARENTE. Perversa, desastrada, entreguista. Ela só beneficia aos refinadores estrangeiros, “traders” multinacionais e importadores concorrentes da PETROBRÁS. Acarreta gastos desnecessários, de bilhões de dólares, impactando o balanço de pagamentos. Mantém ociosas nossas refinarias. Traz de volta o carvão e a lenha, formas rudimentares de energia, devido aos escorchantes preços do GLP. Arranha a imagem da PETROBRÁS. Política de PARENTE e não da PETROBRÁS.
O missivista é um arrivista na indústria do petróleo. Parte. Não deixa saudades para os PETROLEIROS. Talvez para os grupos estrangeiros, especuladores e oportunistas, ávidos pelo controle dos ativos da PETROBRÁS, vendidos a preços de fim de feira.
A mensagem de PARENTE, alinhada com a histeria de certos segmentos do “MERCADO” é uma condenação absurda e maliciosa da política. A PETROBRÁS é uma ESTATAL, sociedade de economia mista, pertence ao povo brasileiro. Tem uma missão que não se esgota no pagamento de dividendos. O MERCADO DE AÇÕES pode ser importante para os especuladores. Muito mais importante para a nossa PETROBRÁS é a SOBERANIA NACIONAL. São as contribuições da PETROBRÁS para o desenvolvimento econômico, social e tecnológico do BRASIL. Sua segurança energética. É preciso adotar a boa Política. Ela ainda é praticada por alguns. Estes podem ajudar a PETROBRÁS a cumprir sua nobre missão. Dos politiqueiros, dos que alugam os mandatos, dos que conquistam o poder por usurpação, e ou fraudes, os PETROLEIROS com os BRASILEIROS querem distância.
Queremos livrar a PETROBRÁS da herança deixada por PEDRO PARENTE, sua POLÍTICA DE PREÇOS antinacional e seu PLANO DE NEGÓCIOS entreguista e privatista.
ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS DA PETROBRÁS (AEPET), 01/06/2018
AEPET, junho de 2018

quarta-feira, 30 de maio de 2018

''que não se exclua ninguém, senão a exclusão''

Manifestação (Letra: Carlos Rennó - Música: Xuxa Levy, Russo Passapusso e Rincón Sapiência)

Intérpretes: 

Criolo, Pericles, Rael, Rico Dalasam, Paulo Miklos, As Bahias e a Cozinha Mineira, Luedji Luna, Rincon Sapiencia, Siba, Xenia França, Ellen Oleria, BNegao, Filipe Catto, Chico César, Paulinho Moska, Pretinho da Serrinha, Pedro Luis, Marcelino Freire, Ana Canãs, Marcelo Jeneci, Márcia Castro, Russo Passapusso, Larissa Luz, Ludmilla e Chico Buarque, Camila Pitanga, Fernanda Montenegro, Letícia Sabatella e Roberta Estrela D'Alva, Siba Veloso e Marcelo Jeneci. 

Banda: 

Benjamin Taubikim - Piano 
Roberto Barreto - Guitarra Baiana 
Fernadinho beatbox 
Siba Veloso - Rabeca 
Marcelo Jeneci - Acordeom 
Os Capoeira (Mestre Dalua, ContraMestre Leandrinho, Felipe Rosseno e Cauê Silva - Percussão 
Emerson Villani - Violões e Guitarras 
Robinho Tavares - Baixo 
Niack - DJ 
Samuel Fraga - Bateria 

Realização:

Anistia Internacional

Onde:

https://www.manifestacao.org/

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Fake justice, fake press, fake democracy e a verdade sobre o muquifo

Fotos: Frente Povo Sem Medo, perícia da PF e promocionais da OAS

O “luxo” do apartamento atribuído a Lula foi baseado em fotos promocionais da OAS para vender o prédio, que está encalhado. Segundo um militante do MTST que esteve no apartamento, há um elevador que abre diretamente no décimo sexto andar, mas hoje não existe um elevador interno ligando o décimo sexto ao décimo oitavo andares. Porém, o laudo da PF (ver no pé do post) fala num elevador interno, para servir aos três andares, que teria custado pouco mais de R$ 104 mil.
O prédio, no entanto, está no osso: sem nenhum acabamento, nem portas, janelas ou elevadores. É nele que a família Lula da Silva deverá ocupar a cobertura triplex, com vista para o mar. Apesar dos imponentes 19 andares e de um projeto que prevê duas torres, com apartamentos entre 80 e 240 metros quadrados, o Mar Cantábrico é conhecido na vizinhança como “o prédio abandonado”. Texto de O Globo, de 10.03.2010, atualizado em 01.11.2011, informando sobre a existência do triplex, citado na sentença por Moro
O Edifício Solaris, onde a família Lula da Silva tem apartamento, ficou pronto em dezembro do ano passado. A reforma do apartamento 164 é tocada por seu filho Lulinha, segundo funcionários do edifício, e foi vistoriada por dona Marisa o tempo todo. Ela mesmo providenciou a decoração do local, visitado por Lula apenas três vezes. A família Lula construiu um elevador privativo para levá-los do 16º ao 18º, que no projeto original tinha apenas escadas internas. Lulinha usou também parte do quarto de empregada e um canto da sala para fazer um escritório. Mandou também colocar porcelanato em tudo. A cobertura com piscina também recebeu uma boa área gourmet. Texto de O Globo, de 07.12.2014
Será que alguém de bom senso nesse país imagina que eu ia pedir um elevador num apartamento que não era meu e deixar de pedir no que eu moro há 20 anos? Lula, em depoimento a Sérgio Moro, depois de mostrar escada em caracol existente em seu apartamento em São Bernardo, contestando que tivesse pedido um elevador no triplex atribuído a ele
Fake Press, Fake Justice, Fake Democracy
por Marcelo Zero
O episódio do “muquiplex”, cuja verdade foi revelada pelo MTST, mostra que o Brasil não tem imprensa de verdade. Tem uma Fake Press.
Não se trata de uma imprensa que se equivoca eventualmente ou que produz “fake news” ocasionalmente. Não. A imprensa oligárquica brasileira, quando se trata de cobrir os acontecimentos que envolvem o PT e a esquerda de um modo geral, é sistematicamente fake. Mentirosa.
Claro está que toda imprensa tem lado, tem ideologia, tem posições políticas.
Porém, em países democráticos há maior diversidade de posições, devido às leis democráticas de regulação da mídia, e certo comprometimento com a produção e distribuição de informações objetivas, equilibradas e fidedignas.
Há algum respeito à verdade, até mesmo para que a posição política defendida tenha legitimidade e se permita o debate democrático.
Entretanto, no Brasil do Golpe, a imprensa oligárquica, dominada inteiramente por meia dúzia de famiglias, perdeu completamente a compostura e a vergonha e dedica-se, diuturnamente, a mentir e a distorcer com grosseira impunidade.
No caso do “muquiplex”, por exemplo, nenhum órgão da nossa fake press se preocupou em investigar se teria havido de fato a tal reforma de R$ 1,2 milhão, como tinha alegado a acusação no processo contra Lula.
A defesa requereu uma inspeção, mas foi negada pelo juiz.
Ninguém questionou a negativa de pedido tão racional e singelo.
Pior ainda, produziram imagens fictícias da “luxuosa reforma” e as difundiram como verdades incontestáveis.
Mas o vergonhoso episódio do “muquiflex”, que foi vital para condenar um inocente, é apenas um exemplo.
Tudo, ou quase tudo, que se divulga sobre Lula, o PT e a esquerda é fake.
No caso do fake impeachment, toda a imprensa oligárquica embarcou na lorota das “pedaladas fiscais”, operações contábeis que já tinham sido realizadas, sem quaisquer questionamentos, por governos anteriores.
Isso era de conhecimento público, mas a fake press, em vez de investigar e falar a verdade sobre o fenômeno, preferiu reproduzir a mentira grosseira de que as pedaladas eram um “grave crime” e que tinham “quebrado a economia”.
O mesmo padrão propositalmente fake de notícias configurou-se na cobertura da Lava Jato, mediante uma articulação com fake delações, fake power points, fake evidences e verdadeiras convicções partidárias.
Enquanto a presidenta honesta foi deposta num fake impeachment e o ex-presidente inocente foi condenado numa fake conviction, os políticos relevantes da direita foram preservados, mesmo com provas materiais robustas, tornando inteiramente fake o lema de “a lei é para todos”.
O fato de Aécio ter se tornado réu recentemente não muda em nada essa constatação, pois Aécio é um político moribundo, hoje sem a menor relevância.
Ademais, contra ele há provas materiais concretas e irrefutáveis. Já Lula é o maior político brasileiro vivo e o maior líder popular da nossa História.
Contra ele, há apenas esse vergonhoso fake triplex, que nunca foi dele.
Trata-se do primeiro caso na História em que alguém é condenado com base em propriedade “metafísica” de um bem.
Inventou-se uma jabuticaba jurídica para condená-lo. Lula seria o “proprietário platônico” do “muquiflex”. Nada mais fake.
Em qualquer país civilizado, Lula teria sido absolvido liminarmente na primeira instância, tal a fragilidade das acusações e as arbitrariedades cometidas contra ele.
Em qualquer país civilizado, Lula não precisaria de segunda instância ou terceira instância. A questão principal não está no processo, nas formalidades.
A questão essencial no caso de Lula é a ausência de justiça e a evidente vontade política de condená-lo para não atrapalhar a agenda regressiva e antinacional do Golpe.
A questão aqui é que, mesmo se Lula tivesse direito a 50 instâncias, em todas elas o veredito de culpado já estaria pré-determinado.
A questão central é que, nesse caso, nós temos apenas uma fake justice.
Se a nossa fake press fosse séria e tivesse algum compromisso com a verdade, provavelmente eles investigariam as relações entre certas operações, como a Lava Jato, e as procuradorias norte-americanas.
Procurariam saber porque os termos do acordo bilateral em matéria penal com os EUA não são respeitados. Indagariam porque os termos das multas pagas pela Petrobras aos acionistas norte-americanos não passaram pelo Senado Federal, como exige a Constituição Federal.
Questionariam a razão pela qual a Lava Jato provocou prejuízos de mais de 2% anuais do PIB, nos últimos dois anos, e porque setores estratégicos inteiros da economia brasileira foram destruídos.
Para a fake press, nada disso importa. O relevante é que Lula foi preso e, com isso, poderemos ter as fake elections com que a nossa direita sonha.
Ter uma fake press e uma fake justice é terrível. Mas o pior é que tudo isso conduz a uma fake democracy.
Uma democracia composta por formalidades vazias de direitos e de verdades.
A informação é uma espécie de matéria-prima da democracia. É por ela que se produz o debate democrático.
Contudo, como diria Karl Popper, um autor conservador, a informação, a opinião, a tese precisam ser falseáveis ou refutáveis para terem validade.
Ou seja, elas têm de ser capazes de serem submetidas a provas, a questionamentos.
É assim que a ciência evolui. Segundo ele, as “sociedades abertas”, as democracias, também devem funcionar dessa forma, permitindo sempre os questionamentos e as refutações.
Entretanto, quando há uma fake press e uma fake justice não se produzem informações, teses, hipóteses ou juízos refutáveis.
Nessas circunstâncias, tudo fica congelado e embaçado no nevoeiro autorreferenciado das mentiras irrefutáveis e das sentenças irrecorríveis.
O Golpe está construindo um país fake. Sem verdades, sem direitos, sem justiça, sem soberania e sem futuro.
Aprisionaram a verdade numa cela em Curitiba. Ela está incomunicável.
PS do Viomundo: Abaixo, o laudo da Polícia Federal no qual o juiz Sérgio Moro se baseou para condenar Lula. Há estimativa dos valores da reforma, as mudanças que teriam sido realizadas e fotos do que seria o elevador interno.




Imagens extraídas da ocupação do muquifo pelo MTST em 17/04/2018



Como a Globo editou o "triplex" em 2016, sugerindo um imóvel muito melhor e maior do que é. Jornalismo pelas frestas.

Onde:

https://www.viomundo.com.br/denuncias/marcelo-zero-o-luxo-do-triplex-atribuido-a-lula-e-a-realidade-paralela-construida-pelos-baroes-da-midia.html

https://www.brasil247.com/pt/colunistas/marcelozero/351717/Aprisionaram-a-verdade-numa-cela-em-Curitiba-Ela-está-incomunicável.htm

domingo, 8 de abril de 2018

Condenação sem provas e fora da lei



Relembre - É provável, ouvi o boato, não comprou mas é dono: as pérolas da Lava Jato no caso triplex

Por Cíntia Alves

Publicada em 20/09/2016
Jornal GGN - Quando o assunto é o apartamento no Guarujá - que, na visão de procuradores da República, a OAS reformou para entregar a Lula como propina disfarçada - até fofoca entre montador de armário e projetista ligados no noticiário tem valor para a Lava Jato. A constatação é feita a partir da análise de depoimentos gravados em vídeo pela própria força-tarefa e divulgados nesta semana na página do Estadão no Youtube.
GGN acompanhou o interrogatório de sete do total de 11 testemunhas do caso triplex, nesta terça (20), e verificou que a Lava Jato não conseguiu confirmar que o imóvel 164-A do Condomínio Solaris é propriedade de Lula. No máximo, o que os investigadores arrancaram foram frases como "provavelmente sim", "tinha esse boato", "li nos jornais", "é possível" ou até mesmo a pérola "não comprou mas é o dono".
Como no papel o triplex está em nome da OAS Empreendimentos, a Lava Jato busca provas que sustentem a seguinte teoria: se a empresa onde Léo Pinheiro tem sociedade investiu quase R$ 1 milhão em melhorias num imóvel que já custava algo em torno de R$ 1,8 milhão, é porque tinha um bom cliente em vista ou, melhor ainda, um proprietário oculto: Lula.
Essa tese fica transparente na entrevista da Lava Jato com o arquiteto da OAS Roberto Moreira Ferreira. Em seu depoimento, ele conta à força-tarefa que acompanhou duas visitas de Marisa Letícia, esposa de Lula, ao apartamento no Guarujá.
A primeira se deu em fevereiro de 2014, quando Léo Pinheiro foi "mostrar a unidade" à ex-primeira-dama e seu marido. Segundo o arquiteto, eles ficaram "olhando o apartamento, conheceram cada ambiente, ficaram na varanda falando amenidades", enquanto técnicos da OAS ficaram à distância para preservar o casal. Os investigadores perguntaram se Lula tinha apartamento naquele prédio, ao que Ferreira respondeu: "Não que eu tivesse conhecimento." 
"Depois dessa visita", emendou o arquiteto, "me chamaram para fazer um projeto para deixar o apartamento mais bem-acabado", o que incluia a colocação de piso, alguns consertos, a construção de uma escada entre os pavimentos, instalação de armários, churrasqueira e um elevador privativo, entre outras melhorias.
Ferreira disse que a OAS tem por "hábito" fazer apartamentos modelos e colocá-los para venda com tudo o que tem dentro. Mas que não acompanhou nenhum projeto com tantos detalhes como esse triplex do Guarujá.
Embora tenha dito que ficou "reticente" com alguns pedidos - como o elevador privativo que foi orçado em cerca de R$ 70 mil - ele disse que o mercado na região estava muito ruim e que as melhorias eram uma maneira de atrair clientes.
Em agosto de 2014, Ferreira esteve no local pela segunda vez. Marisa Letícia foi acompanhada de um de seus filhos. Lula não participou. Léo Pinheiro voltou a mostrar todos os ambientes, agora com armários, alguns eletrodomésticos instalados. Segundo o arquiteto, Marisa se limitou a dizer que a vista era "bonita". "Como não fez nenhum comentário ruim, achei que ela tinha gostado da obra."
Aqui entra a Lava Jato com a tese de que, se a planta original do apartamento foi modificada, é porque existe um proprietário. Afinal, segundo perguntaram a Ferreira, o "costume" no mercado é que a personalização de apartamentos só ocorra mediante a compra.
Assista a partir dos 13 minutos:
Lava Jato:  Então, de acordo com os usos e costumes da empresa e do mercado, uma pessoa poderia falar que esse apartamento é do ex-presidente Lula [já que a planta foi alterada e Marisa fez duas visitas para verificar a obra]?
Arquiteto: Provavelmente sim, não posso afirmar com certeza, ele não comprou.
Lava Jato: Não, estou falando de acordo com usos e costumes...
Arquiteto: Provavelmente sim.
Curiosamente, o depoimento de Ferreira foi cortado no exato momento em que o arquiteto dizia que na unidade 164-A do Solaris, a ideia também era de servir como apartamento modelo. Em outros vídeos, o investigador declara a entrevista encerrada antes de terminar a gravação.
Outro vídeo que chama atenção é de Armando Dagli Magri, engenheiro sócio da empresa Talento, responsável por projetar e executar as melhorias que a OAS decidiu promover no triplex.
No vídeo abaixo, Magri contou que acompanhou a segunda visita de Marisa Letícia ao apartamento, e disse que sua impressão foi de que a esposa de Lula estava entrando no imóvel pela primeira vez.
Lava Jato: Ficou parecendo que o apartamento era para ela?
Engenheiro: Sinceramente não fiquei [com essa impressão] porque quando a gente tem reunião com proprietário, o proprietário já chega falando gosto disso, gosto daquilo. Ela se limitou a dizer que gostava muito daquela praia, ficou falando que gostava da vista, lembrando da infância do filho, que o pai dele gostava da praia.
Magri também reafirmou que, em todos os contratos que assinou sobre aquele apartamento, a propriedade constava em nome da OAS Empreendimentos. Quando ele encerrou sua parte na obra, disse que ouviu de Igor Pontes, engenheiro da empreiteira, que “agora tinha que correr com a Kitchens”, que seria a responsável por fazer o projeto dos armários de cozinha.
A Lava Jato foi atrás de Rodrigo Garcia, um ex-funcionário da Kitchens que acompanhou o pedido para projetar a cozinha. Ele disse às autoridades que sempre tratou do assunto com funcionárias da OAS e que, em seu entendimento, o imóvel pertencia à empresa. Após confirmar algumas visitas ao empreendimento, foi questionado sobre a propriedade.
Acompanhe a partir dos 21’30’’.
Lava Jato: Em algum momento alguém falou que aquele apartamento era do ex-presidente?

Ex-funcionário da Kitchens: O montador me questionou isso.

Lava Jato: Qual montador?

Ex-funcionário: Não sei dizer. Eu o vi primeira e única vez lá na montagem. Ele me fez a pergunta e não dei a menor bola. Para mim, aquele apartamento era de um diretor da OAS. Ouvi o boato desse montador e ficou ali. Não dei a menor importância para esse boato... para essa fala.

Quem também ouviu falar que o apartamento é de Lula foi o dono de uma empresa de transportes chamado Sergio Antônio dos Santos Santiago, responsável pela entrega dos metais supostamente utilizados no elevador privativo do triplex. Ele indicou que só ficou sabendo que era do ex-presidente após ser intimado para depor na Lava Jato - ou seja, quando a imprensa toda já disseminava a versão dos procuradores.
Acompanhe a partir dos 4’25’’:
Lava Jato: O senhor teve contato com funcionário que executou o serviço?
Dono da transportadora: Até hoje eu tenho, alguns deles estão comigo ainda. Até perguntei, quando veio a informação – acho que é do Lula esse apartamento, né? – aí perguntei pro pessoal se estiveram no apartamento do presidente. Brinquei com eles. Eles nem sabiam para casa de quem era [a entrega] porque, a princípio, foi a empresa [Talento] que contratou para fazer o orçamento. É uma situação engraçada.

Lava Jato: Isso aconteceu depois que saiu...

Dono: Foi quando me chamaram para depor lá, aí é que o cara falou. Eu até brinquei com o pessoal. 'Vocês foram no apartamento e nem sabia' [risos].

LULA, O POTENCIAL CLIENTE
Um dos funcionários da OAS apontado por vários entrevistados como parte do grupo que liderava a reforma no triplex é o engenheiro Igor Ramos Pontes. Este disse à força-tarefa que seu cliente no caso do apartamento no Guarujá era a OAS Incorporadora, mas colocou Lula como potencial comprador da unidade.
Acompanhe a partir dos 23’30’’:
Lava Jato: Quem pediu esse projeto específico foi seu chefe, Roberto Moreira. Ele informou para quem?
Engenheiro: Havia discussão de que o ex-presidente era, na prática, um possível comprador, finalizaria a questão dele com a Bacoop com a compra dessa unidade, e que para facilitar a venda, fariam como se fosse apartamento modelo, com algumas modificações. Para ver se incentivava.
Lava Jato: Então fizeram as mudanças para facilitar a venda ao ex-presidente?
Engenheiro: É possível que sim, não sei afirmar.
Lava Jato: Quando Marisa esteve pela segunda vez, ela se mostrou satisfeita?
Engenheiro: Ela não verbalizou.
Pontes disse que orientou sua equipe técnica a não disseminar boatos sobre a propriedade de Lula após a mídia começar a sondar o apartamento. Aos 6'20'', comentou:
Engenheiro: Eu não sei de quem é o apartamento, está em nome da OAS, então é da OAS. E toda demanda vinha da OAS. Em outras unidades, a gente recebia o contato direto do cliente. Nesse apartamento especificamente, a unidade estava em nome da OAS Empreendimentos. Não tem cliente. Não tem morador, nunca morou ninguém lá. Toda a demanda que vinha era da OAS. Mas existem especulações, perguntavam se era do ex-presidente Lula ou não. Eu dizia [à minha equipe] que não temos nenhuma informação sobre isso. E, de fato, não temos.
Outros depoentes reafirmaram que o apartamento está em nome da OAS, como Alberto Ratola de Azevedo, cuja empresa de engenharia foi terceirizada pela Talento para fazer a estrutura metálica para instalação do elevador privativo. "A contratante final foi a OAS”, disse, indicando que o serviço custou cerca de R$ 4 mil, pagos pela Talento. “Ouvi dizer que ia ser o ex-presidente da República. Ouvi recentemente. Em contato com a Talento ou na execução da obra, não ouvi nada", respondeu, quando questionado sobre Lula.
A engenheira Mariuza Aparecida Marques contou à Lava Jato que esteve presente na segunda visita de Marisa ao triplex, pois seu trabalho era fiscalizar o andamento da obra da Talento.
Ao final da entrevista, o membro da Lava Jato disse que ela estava muito “reticente” durante o interrogatório e resolveu perguntar diretamente de quem era o apartamento. Ela respondeu que, segundo as informações que possuía, o apartamento era da OAS. “Era para ser vendido para qualquer cliente”, comentou.

Onde:
https://jornalggn.com.br/noticia/relembre-e-provavel-ouvi-o-boato-nao-comprou-mas-e-dono-as-perolas-da-lava-jato-no-caso-triplex